Que é pra você saber
Que é pra você saber que eu não sou dessas moças que se acostumam com uma vida da qual não são donas.
Que é pra você saber ainda, que, cada palavra dita da minha boca merece ser ouvida e considerada e não usadas contra mim.
Que é pra você saber que não é fazendo qualquer coisa de qualquer jeito com a desculpa mais frouxa e egoísta de que 'pelo menos está tentando' que eu vou aceitar uns míseros confetes sujos com prazo de validade próxima.
Ora rapaz, sois bom moço, reconheço, mas não tenhas a pretensão de tomar-me a seus moldes. Tampouco quero. Já pensastes talvez que tuas chagas engolem tantas pessoas quanto engolem a ti mesmo?
Não digo que meus caminhos não são tortuosos ou que meus cordéis não são, tantas vezes, fantasiosos. Meus interiores são tão profundos que suspeito que eu própria não os domine. Mas que é pra você saber que nem por isso vais plantar qualquer semente pra eu regar sozinha quando, tantas vezes mais, tu faltares.
Abri mão das saias de cetim e das flores no cabelo porque não quero ser dessas moças que esperam em casa que tu voltes no fim do dia lhe trazendo a vida e a serventia. Vai-te com tuas verdades somar a quem dos teus modos se compadece, que aqui não tens mais espaço pra derramar seus prazeres e levar embora todo verso dos meus cantos e as rimas dos meus sorrisos.
Que é, então, bom moço, pra saberes que está tudo bem e amanhã há de ser melhor. Porque lidaremos cada um de nós, apenas com nossas escolhas. Não precisareis de mais desencontros. Não mais confundirei o brilho dos meus olhos com lágrimas que, há tanto, não deixo molhar.
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